Quarteto de razões pelo cinema homónimo

O cinema Quarteto está temporariamente encerrado porque o sistema de segurança contra incêndios ou não existia ou era ineficaz (o que sucederia verdadeiramente irónico durante uma exibição de, por exemplo, “Ladder 51” ou “Mar de Chamas” ou mesmo - se quisermos ser um pouco mais pseudo - “Gata em Telhado de Zinco Quente”).
Sinceramente, nem sei se este é o pior problema do Quarteto. Quem o frequenta, sabe ao que vai. A simpatia das senhoras da bilheteira leva-nos a crer que nem todos os oficiais nazis fugitivos se esconderam na América Latina. O bar parou algures no tempo. Infelizmente, julgo que foi no tempo da Grande Depressão. Há telas mais baças que os vidros de um carro parado à noite numa berma do Instituto Superior Técnico. E uma prima minha que se sentou numa cadeira manchada da sala 2 deu à luz 9 meses depois.
Mas o mítico “Quarteto” continua a ter fiéis. E merece-o, como diriam os políticos, “por 4 ordens de razões”:

1) é dos poucos cinemas onde ainda se faz um intervalo;
2) é, que o escriba saiba, o único cinema onde se pode assistir sozinho a uma sessão;
3) não tem sempre os mesmos filmes que quase todos os outros mostram;
4) possui as únicas primeiras filas realmente confortáveis e onde, graças à distância e ao tamanho modesto da tela, não corremos o risco de cegar durante a exibição de uma película de Michael Bay.
É por estes motivos que digo, alto e bom som, e com um bilhete barato na mão: devolvam-nos o “Quarteto”! Todo o cinéfilo agradece. Se não podemos ser estrelas de cinema nem super-heróis, dêem-nos ao menos o único cinema onde o simples acto de o frequentarmos equivale a uma experiência radical.
LFB, pulicado no MEIA HORA de passada 6ª, 23 de Novembro

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